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El Habano Da semente ao charuto em 539 passos – Parte 2

Introdução

Este artigo baseia-se na obra El Habano: de la semilla al puro en 539 pasos, escrita por Eumelio
Espino Marrero, engenheiro agrônomo (Eng.) e mestre em ciências (MSc.). O objetivo declarado
do autor é satisfazer a curiosidade dos fumadores de Habanos e de todos aqueles que desejam
compreender quanta mão de obra humana é necessária para a obtenção de um produto tão
requintado e distinto.

Desde o início, o autor deixa claro que o Habano não é resultado apenas de uma matéria-prima
excepcional, mas da soma de centenas de atividades humanas, executadas com precisão ao
longo de toda a cadeia produtiva. O livro procura tornar visível esse esforço, normalmente
invisível ao consumidor final, revelando a complexidade agrícola, pré-industrial e industrial que
existe por trás de cada charuto cubano.

O significado de “passos”

O conceito de “passos”, central na obra, é definido como o conjunto de atividades necessárias
para produzir um Habano, desde a semente até o charuto final. Cada etapa do processo envolve
diversas tarefas específicas, algumas únicas e outras repetidas ao longo do ciclo produtivo,
todas consideradas como passos.

Ao final de sua análise, o autor conclui ser possível determinar com precisão o número de
passos necessários para a obtenção do Habano, reforçando que sua qualidade única resulta da
combinação entre o trabalho humano e as condições naturais de solo e clima de Cuba.
Antes de apresentar o primeiro passo para a produção de um Habano, o autor conduz o leitor
ao passado, resgatando a história da origem e evolução do tabaco negro cubano, fundamento
essencial para a compreensão de todo o processo produtivo.

O tabaco nas Américas

De acordo com as pesquisas de Goodspeed (1954), a espécie Nicotiana tabacum L. teve origem
na América do Sul, expandindo-se posteriormente para a América Central, o Caribe e a América
do Norte. É provável que essa expansão tenha ocorrido por meio de rotas que passavam pelo
México, América Central e Antilhas.

No caso específico de Cuba, há evidências de que o tabaco já estava amplamente difundido na
ilha quando os espanhóis chegaram em 1492. Os povos indígenas cubanos dominavam
plenamente o cultivo e o preparo do tabaco, utilizando-o para fins medicinais, rituais e também
como parte da vida cotidiana.

Cristóvão Colombo registrou, em 1492, a observação de indígenas fumando folhas secas
enroladas, constituindo uma das primeiras referências escritas ao uso do tabaco. Pesquisas
posteriores indicam que o tabaco já era cultivado em Cuba há aproximadamente 2.500 anos
antes da nossa era.

Os aborígenes cubanos habitavam extensas áreas da ilha e possuíam técnicas refinadas de
cultivo e preparação do tabaco, transmitidas de geração em geração. Essas técnicas foram
registradas por Manuel Rodríguez Ramos em sua obra Seminário de fabricação e história do
tabaco (1905).

Com a chegada dos colonizadores espanhóis, por volta de 1520, o tabaco passou de um produto
de uso local a um bem de interesse comercial. Inicialmente, sua produção destinava-se quase
exclusivamente à exportação, impulsionada pelo crescente interesse europeu.
Em 1592, o governo de Cuba decretou que o cultivo do tabaco deveria ser controlado pelo
Estado. Don Juan de Arriola estabeleceu em Havana o primeiro centro de processamento de
tabaco, a Casa de Contratación, transformando a cidade no principal polo produtor e
exportador.

Consolidação do tabaco negro cubano

Durante os séculos XVII e XVIII, o tabaco cultivado em Cuba foi sendo progressivamente
selecionado e melhorado a partir do material genético indígena original e de sementes
introduzidas posteriormente. Esse processo resultou em um tabaco de qualidades
organolépticas excepcionais, formando a base do que hoje é reconhecido como o melhor
tabaco negro para charutos.

A partir de 1760, o cultivo do tabaco passou a ser oficialmente regulamentado sob o domínio
espanhol, concentrando-se em regiões com solos e condições climáticas particularmente
favoráveis, sobretudo no centro e no oeste da ilha.

No século XIX, após o fim do monopólio espanhol, os agricultores cubanos aperfeiçoaram
técnicas agrícolas e intensificaram a seleção varietal. A experiência acumulada ao longo desse
período permitiu um domínio quase perfeito do cultivo, consolidando o tabaco negro cubano
como referência mundial de qualidade.

Perda e recuperação da pureza varietal

No final do século XIX, as guerras de independência de Cuba provocaram a perda de grande
parte da semente original do tabaco cubano. No início do século XX, a introdução de variedades
estrangeiras, aliada ao uso inadequado de métodos de cultivo, resultou na perda da pureza
varietal e no surgimento de um verdadeiro mosaico genético.

Em 1907, o cientista norte-americano Dr. Hasselbring iniciou, na Estação Experimental de
Santiago de Las Vegas, um trabalho de melhoramento genético com o objetivo de recuperar o
tabaco negro original de Cuba. Em 1912, com o apoio de produtores de Pinar del Río, conseguiu
introduzir o tabaco conhecido como Havanensis, considerado o genuíno tabaco cubano.

Apesar de apresentar excelentes características organolépticas, o cultivo do Havanensis
mostrou-se difícil. Ainda assim, esse material genético tornou-se a base dos programas de
melhoramento subsequentes. Com o tempo, cruzamentos espontâneos e hibridações naturais
voltaram a gerar uma diversidade de variedades intermediárias.

No final da década de 1920, o estudioso cubano Tomás Roig realizou uma nova seleção,
obtendo um tabaco muito semelhante ao original. Embora sua distribuição tenha sido limitada,
seu trabalho foi fundamental para a preservação genética do tabaco cubano.

Variedades Criollo e Corojo

A partir de 1970, a Seção Experimental de San Juan y Martínez retomou de forma sistemática o
trabalho de seleção varietal. O tabaco negro cubano passou a ser cultivado exclusivamente em
Pinar del Río, sendo destinado principalmente à produção de capa.

Em 1947, surgiu a variedade Corojo, resultado do cruzamento de variedades cubanas. Destacouse por suas excelentes qualidades agronômicas e consolidou-se como a principal variedade
utilizada para capa nos Habanos. Paralelamente, a variedade Criollo era cultivada a céu aberto e
destinada à produção de tripa e capote.

Outras variedades, como o Colorado (Golden H) e o Pelo de Oro, não apresentaram
características adequadas para a produção de charutos premium e foram destinadas ao
consumo interno.

Durante décadas, Criollo e Corojo sustentaram a produção de tabaco na região de Vuelta Abajo,
até o surgimento do mofo azul, que devastou plantações no século XX e tornou indispensável o
desenvolvimento de novos programas de melhoramento genético, voltados à resistência às
doenças.

Compreendida a origem, a evolução genética e a consolidação do tabaco negro cubano, o autor
está finalmente preparado para conduzir o leitor ao primeiro passo concreto da produção do
Habano.

Esse será o ponto de partida da próxima parte, onde a história dá lugar à prática, e o ciclo
produtivo começa, passo a passo, no campo cubano.

Continua na próxima parte.

Autor: Abdullah Soliman. Sommelier de Charutos
@solimancigars • @granclublounge • @doncorleon

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